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por Marilia Mayorga e Vd. Mateus Macêdo | Vida Veda

O Ayurveda tem se tornado cada vez mais popular no Brasil e no Ocidente.
Com isso, surgem também muitos mal-entendidos: seria uma religião? Uma crença indiana? Uma prática alternativa? Uma pseudociência?

Antes de responder a qualquer uma dessas perguntas, é importante voltar ao ponto de partida: o que é, afinal, o Ayurveda e por que alguém decidiria estudá-lo hoje?

Este artigo é um convite para compreender o Ayurveda a partir de seus próprios fundamentos, dialogando com a ciência moderna, com a prática clínica contemporânea e com a realidade de quem busca mais autonomia sobre a própria saúde ou deseja ampliar seu repertório profissional na área da saúde.


Assista ao vídeo que inspirou este artigo
O que é Medicina Ayurveda?


O que o Ayurveda não é

Grande parte da confusão em torno do Ayurveda vem do que ele não é.
Primeiramente, Ayurveda não é um conjunto de receitas milagrosas, nem uma lista de chás ou ervas “indianas” que resolvem tudo. Não é uma dieta pronta, não é um manual de automedicação e não é uma promessa de cura instantânea.

O Ayurveda também não é uma religião.
Ou seja, estudar e praticar ayurveda não exige crença, não está vinculado ao hinduísmo e não entra em conflito com nenhuma fé. Pessoas hinduístas, budistas, cristãs, muçulmanas ou sem religião estudam e praticam Ayurveda.

Ayurveda não é misticismo nem esoterismo.
Embora reconheça dimensões sutis da experiência humana, ele não se baseia em fé cega, mas em observação sistemática da vida, do corpo e da doença.

Ayurveda também não é uma “medicina alternativa”, logo, não substitui ou nega a medicina moderna. Essa oposição simplesmente não existe na sua origem.

O que é Ayurveda, afinal?

Ayurveda é um sistema de medicina desenvolvido ao longo de séculos e codificado em textos clássicos conhecidos como Samhitas.
Esses textos reúnem observações clínicas, hipóteses sobre o funcionamento do corpo humano, métodos diagnósticos e abordagens terapêuticas que foram testadas, transmitidas e refinadas ao longo de gerações.

A palavra Ayurveda vem do sânscrito:
ayush, que significa vida, e veda, que significa conhecimento.
Ayurveda, portanto, é o conhecimento da vida.

De acordo com o Charaka Samhita, um dos textos mais antigos e centrais do Ayurveda, vida é o intervalo entre o nascimento e a morte, e tudo o que acontece nesse percurso.

Nesse mesmo texto, a vida é descrita como a integração de quatro dimensões fundamentais:
Sharira: o corpo físico
Indriya: os órgãos dos sentidos
Sattva: a mente e a capacidade cognitiva
Atma: aquilo que observa, a consciência

Essa definição já deixa claro que o Ayurveda não separa corpo, mente e experiência subjetiva.
Ele parte do princípio de que saúde e sofrimento emergem da relação entre essas dimensões.

Ayurveda e saúde pública: Brasil e mundo

No Brasil, o Ayurveda integra o conjunto das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), reconhecidas pelo Ministério da Saúde. Sendo assim, essa inclusão reconhece o Ayurveda como uma abordagem válida no campo do cuidado integral, especialmente em ações de promoção da saúde e prevenção.

No cenário internacional, o Ayurveda está inserido no campo da Medicina Tradicional, discutido e estudado em iniciativas coordenadas pela Organização Mundial da Saúde. A OMS mantém, inclusive, centros e programas dedicados à integração da Medicina Tradicional aos sistemas de saúde contemporâneos, com foco em segurança, evidência e boas práticas.
Esse reconhecimento não transforma o Ayurveda em uma “solução universal”, mas o coloca no lugar correto: um sistema médico tradicional que dialoga com a ciência moderna, em vez de se opor a ela.

Na Índia, o Ayurveda coabita com a medicina moderna, ou seja, hospitais ayurvédicos funcionam lado a lado com hospitais modernos. Pacientes transitam entre sistemas conforme a necessidade clínica, o estágio da doença e o tipo de intervenção requerida.

Por que estudar Ayurveda?

Estudar Ayurveda não é decorar termos em sânscrito nem seguir regras rígidas, mas aprender a observar relações de causa e consequência no próprio corpo.
É entender por que algo que faz bem para uma pessoa pode gerar desconforto em outra. Por que um hábito aparentemente simples pode, ao longo do tempo, produzir desequilíbrio. E por que saúde não é apenas fazer “as escolhas certas”, mas compreender o contexto em que essas escolhas acontecem.

O estudo do Ayurveda devolve algo que a vida moderna costuma tirar: discernimento.
Isto é, capacidade de reconhecer os sinais do corpo, entender limites e fazer escolhas mais conscientes.

Para quem busca autoconhecimento, o Ayurveda oferece ferramentas práticas para entender o próprio corpo, a digestão, o sono, a mente e os ciclos da vida.
Enquanto que, para profissionais da saúde – médicos, nutricionistas, terapeutas, psicólogos, educadores físicos – o Ayurveda amplia a leitura clínica, ajuda a compreender padrões de adoecimento e traz uma visão integrativa que muitas vezes falta na formação convencional.

Mais do que um conjunto de técnicas, o Ayurveda ensina o que faz bem para quem, em que contexto e em qual momento.
Estudar Ayurveda não significa abandonar a medicina moderna, mas sim, ampliar repertório.
Ou seja, ele se integra ao conhecimento existente, ampliando a capacidade de leitura da realidade biológica e humana.

Ayurveda como sistema médico

Uma das evidências mais claras de que o Ayurveda é, de fato, um sistema médico completo está na sua própria organização interna.
Sendo assim, os textos clássicos descrevem o Ayurveda dividido em oito grandes áreas de atuação, Astanga.
Essa divisão não é simbólica, ou seja, ela corresponde a campos clínicos reais, comparáveis às especialidades médicas modernas.

Kaya – clínica geral / medicina interna
Bala – pediatria
Graha – psiquiatria / demonologia / metafísica
Urdvanga (Shalakya Tantra) – otorrinolaringologia, odontologia, oftalmologia
Shalya – cirurgia geral
Damstra (Agada Tantra) – toxicologia
Jara (Rasayana) – gerontologia / terapias de rejuvenescimento
Vrisha (Vajikarana) – terapias de reprodução humana

Isto é, o estudo de Ayurveda não se limita a dicas de estilo de vida ou uso de ervas. Ele diagnostica, trata, acompanha pacientes, prescreve terapias, medicamentos e mudanças de estilo de vida com base em uma lógica clínica própria.

É por isso que, na prática médica, uma consulta com um profissional de Ayurveda se parece muito mais com uma consulta médica convencional do que com qualquer prática dita “alternativa”.

Entenda mais no vídeo:
Não é tão simples quanto você imagina! Como a medicina Ayurveda funciona?

Ayurveda como um sistema vivo

Um ponto central do Ayurveda é que conhecimento gera responsabilidade.
Saber o que faz bem e o que faz mal não serve para criar culpa, mas para ampliar a liberdade de escolha. Quando você entende como seu corpo funciona, passa a decidir com mais clareza sobre os 4 pilares da saúde: alimentação, sono, movimento e silêncio.

Por isso, os textos clássicos afirmam que quem deseja uma vida boa e saudável precisa estudar Ayurveda, não como dogma, mas como ferramenta de discernimento.
Talvez a maior força do Ayurveda seja justamente aquilo que mais incomoda em um mundo de respostas rápidas: ele não oferece soluções universais.

Não existe um alimento que seja bom para todos,um hábito que funcione em qualquer contexto ou um protocolo que dispense observação.

Contudo, o Ayurveda ensina a olhar, testar, ajustar e aprender com o próprio corpo. Ele não promete atalhos. Ele oferece compreensão.
E é exatamente isso que faz dele um sistema tão atual, mesmo após milhares de anos.

Quem deveria estudar Ayurveda?

Estudar Ayurveda é para quem deseja se conhecer de forma mais profunda e também para quem cuida da saúde de outras pessoas e sente a necessidade de ampliar seu repertório clínico.
Ele dialoga tanto com quem busca compreender melhor o próprio corpo quanto com profissionais da saúde que percebem os limites das abordagens padronizadas e procuram uma visão mais integrada do ser humano.

Não é preciso adoecer para estudar Ayurveda. Pelo contrário: ele nasce como uma ciência da manutenção da saúde, da prevenção e do equilíbrio ao longo da vida, antes que o desequilíbrio se organize como doença.

Para o indivíduo, isso se traduz em mais autonomia e consciência sobre suas escolhas. Para o profissional de saúde, em mais ferramentas de escuta, avaliação e intervenção, respeitando a singularidade de cada pessoa.

Quanto mais cedo esse olhar é desenvolvido, seja na vida pessoal ou na prática clínica, menos a saúde se transforma em um campo de batalha e mais ela se torna um processo contínuo de observação, ajuste fino e responsabilidade compartilhada.

Como começar a estudar

No Vida Veda, você encontra caminhos para estudar Ayurveda — ou aprofundar seus estudos.
Do primeiro contato com os princípios fundamentais até a formação completa em Ayurveda e Saúde Integrativa, existe um caminho adequado para cada momento da sua jornada.

A Essência da Saúde: o primeiro passo

Um curso 100% gratuito, fruto de mais de dez anos de prática clínica e estudos em Ayurveda.
Durante 7 dias, você vai aprender os 4 Pilares da Saúde – sono, alimentação, movimento e silêncio, em aulas interativas, com intervalos estratégicos para aplicar e sentir os resultados no seu dia a dia.
Além das aulas, o curso oferece materiais de apoio, e-book exclusivo, receitas ayurvédicas e conteúdos complementares, tudo dentro da Univedas, nosso hub de escolas védicas.
É o ponto de partida ideal para quem deseja começar a cuidar da saúde com consciência.

Para se inscrever é só entrar em: vidaveda.org/essencia

Invicta: o curso prático de Ayurveda e Saúde Integrativa

O Invicta é uma jornada de 12 meses para transformar seus 4 Pilares da Saúde e restaurar sua vitalidade.
Com aulas semanais, 12 módulos transformadores, práticas e deveres de casa, você aprende e aplica o Ayurveda de forma prática e real.
Tudo isso dentro de uma comunidade viva, um verdadeiro “formigueiro de fogo”, onde centenas de pessoas caminham juntas nessa jornada de autotransformação.

Conheça o Invicta: vidaveda.org/invicta

Nilaya: Comunidade de Estudos Continuados em Ayurveda

Nilaya é a nossa comunidade de estudos continuados, criada para quem deseja se aprofundar no conhecimento ayurvédico diretamente da fonte.
Aqui, você tem acesso a cursos, palestras e aulas especiais mensais, além da Mentoria Nilaya, que acontece ao vivo, uma vez por mês, com o Vd. Matheus Macêdo.

Nilaya oferece atualizações constantes, contribuição consciente e uma comunidade acolhedora, para que você aprenda com leveza, consistência e segurança.

Se o Nilaya é o seu caminho, é só entrar no link: vidaveda.org/comunidade

GECC: Grupo de Estudos de Casos Clínicos

O GECC é o nosso Certificado em Casos Clínicos, ideal para quem quer ver o Ayurveda em ação na prática clínica.
Com encontros mensais ao vivo e mais de 150 horas de conteúdo, você estuda casos reais, como fibromialgia, câncer de mama, artrite reumatoide e muito mais.
Baseado nos textos clássicos e nas melhores práticas da medicina integrativa, o GECC une teoria e prática para profissionais de saúde que desejam aplicar o Ayurveda com segurança e profundidade.

Para fazer parte do grupo de estudos de casos clínicos, acesse: vidaveda.org/gecc

Vidyalaya: Formação em Ayurveda e Saúde Integrativa

A Formação do Vida Veda alia o conhecimento das universidades tradicionais indianas às metodologias modernas de ensino.

Inspirada no BAMS (Bacharelado em Medicina Ayurvédica), é uma formação completa e modular, com três níveis:
I: Fundamentos do Ayurveda e Saúde Integrativa (18 meses)
II: Terapeuta Mentor(a) em Ayurveda e Saúde Integrativa (18 meses)
III: Terapeuta Clínico(a) em Ayurveda e Saúde Integrativa (24 meses)

O Vidyalaya prepara profissionais para atuar com excelência e consciência, unindo teoria, prática e estágios presenciais opcionais na Índia.

Seja qual for o seu ponto de partida, o mais importante é começar com consciência e lembrar que saúde é liberdade.
Escolha o caminho que faz sentido para o seu momento e, se precisar de apoio na sua decisão, fale com a nossa equipe – teremos alegria em te ajudar a encontrar o seu próximo passo nessa jornada.

Para se inscrever em nossa Formação em Ayurveda e Saúde Integrativa, acesse: vidaveda.org/formacao

Perguntas Frequentes

1. Ayurveda é religião ou exige alguma crença?

Não. Ayurveda é um sistema médico descrito nos textos clássicos (Samhitas) e pode ser estudado e aplicado independentemente de fé.

2. Ayurveda é medicina alternativa?

O termo “alternativa” sugere substituição. O Ayurveda se encaixa melhor como medicina integrativa, pois pode somar repertório de cuidado, especialmente em prevenção, estilo de vida e condições crônicas, sem negar a medicina moderna.

3. O Ayurveda é reconhecido oficialmente no Brasil?

Sim. No Brasil, o Ayurveda integra o conjunto das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) reconhecidas pelo Ministério da Saúde.

4. Ayurveda serve só para autocuidado?

Não. Ele é útil tanto para quem quer cuidar da própria saúde quanto para profissionais da saúde que desejam ampliar repertório clínico e integrar prevenção, estilo de vida e compreensão individualizada de sintomas.

5. Por onde começar a estudar com segurança?

Se você está começando, o caminho mais simples é o Essência da Saúde (gratuito). Se quer prática continuada, o Invicta aprofunda aplicação. Para estudo constante, existe o Nilaya; para prática clínica, o GECC; e para formação completa, o Vidyalaya.

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