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5 maneiras de usar o óleo de gergelim segundo o Ayurveda

por Marilia Mayorga e Vd. Mateus Macêdo | Vida Veda

O uso do óleo de gergelim é uma das práticas mais tradicionais do Ayurveda, mas é preciso seguir algumas recomendações importantes.

Neste artigo, você vai aprender cinco usos clássicos do óleo de gergelim, entender por que o Ayurveda o considera tão importante, conhecer o que a ciência moderna sugere sobre a oleação, identificar as principais contraindicações e descobrir como começar a aplicar essa prática no seu dia a dia.


Assista aos vídeos que inspiraram este artigo
5 formas de usar óleo de gergelim no Ayurveda


Por que o óleo de gergelim é tão presente no Ayurveda?

O óleo de gergelim ocupa um lugar único dentro do Ayurveda.

Assim, entre todas as substâncias de origem vegetal utilizadas na tradição ayurvédica, o óleo de gergelim ocupa o lugar de principal fonte de oleação (snehana).

Em sânscrito, a palavra taila, que significa óleo, deriva de tila, que significa gergelim. Com o tempo, o termo que originalmente designava o óleo de gergelim passou a nomear os óleos de forma geral, tamanha é sua importância dentro da prática ayurvédica.

Mas por que esse destaque?
Para o Ayurveda, o óleo de gergelim é quente, nutritivo, penetrante e profundamente estabilizador, especialmente para o vata dosha, o princípio do movimento no corpo.

No Ashtanga Hrdayam, um dos textos clássicos mais estudados da medicina ayurvédica, escrito há cerca de 1500 anos, o tema aparece logo no início, no capítulo de Dinacharya, que são as rotinas diárias do Ayurveda.

No Sutrasthana, capítulo 2, o Ashtanga Hrdayam diz: “Abhyanga macaret nityam, sa jara-srama-vataha.
O texto diz que a oleação (abhyanga) deve ser realizada diariamente, pois atua na prevenção do envelhecimento precoce, reduz o cansaço e apazigua o vata dosha.

O que a ciência moderna diz sobre oleação

Embora a linguagem seja diferente, a dermatologia e a fisiologia modernas reconhecem pontos interessantes:
– A aplicação de óleos vegetais melhora a função da barreira cutânea.
– Reduz a perda de água transepidérmica.
– Diminui inflamação cutânea.
– Melhora a elasticidade e integridade da pele.
– Pode modular respostas do sistema nervoso autônomo quando associada a toque e massagem.

Ademais, estudos com óleo de gergelim mostram atividade antioxidante, ação anti-inflamatória e boa capacidade de penetração dérmica.
Além disso, a prática do toque terapêutico, mesmo fora do contexto ayurvédico, está associada à redução de cortisol e melhora da variabilidade da frequência cardíaca, indicadores de equilíbrio do sistema nervoso.

Duas regras fundamentais do uso do óleo de gergelim

Antes de falar das formas específicas de uso, existe um princípio que vale para todas elas.
No Ayurveda, a oleação segue duas regras fundamentais:

1 – O óleo sempre aplicado morno.
Sempre aquecido em banho-maria, pois o calor facilita a penetração, melhora a absorção e potencializa o efeito nutritivo e estabilizador. Se usado frio, vai gerar um efeito contrário ao esperado.

2 – O óleo não deve permanecer no corpo por tempo excessivo.
O ideal é aplicar, deixar agir de 30 a 60 minutos e depois remover no banho, ou seja, não é recomendável a aplicação antes de dormir, nem deixá-lo por horas sem remoção.

Na prática, isso significa que você pode aplicar o óleo, fazer suas tarefas, cozinhar, praticar yoga, realizar atividade física, seguir sua rotina e depois tomar um banho morno para retirar o excesso.

As 5 maneiras tradicionais de usar o óleo de gergelim

1) Shiro Abhyanga

A primeira forma de usar o óleo de gergelim é aplicá-lo na cabeça, prática conhecida como shiro abhyanga.
Primeiramente, o óleo deve estar morno, aquecido em banho-maria e você deve utilizar no máximo uma colher de sopa.

Derrame o óleo no topo da cabeça e marque cinco minutos no relógio. Durante esse tempo, faça um carinho, um cafuné consciente no couro cabeludo, espalhando o óleo com suavidade.

Se possível, mantenha a cabeça aquecida com uma toca ou gorro enquanto o óleo permanece agindo. Depois de 30 a 60 minutos, retire no banho.

2) Abhyanga (oleação no corpo inteiro)

A segunda forma de usar o óleo de gergelim é expandir a prática da cabeça para o corpo inteiro.
Isso é o que os textos clássicos chamam simplesmente de abhyanga.

Aqui, o princípio é o mesmo: óleo de gergelim morno, aquecido em banho-maria, aplicado diretamente sobre a pele. Não se trata de “massagem terapêutica”, mas de um gesto de cuidado. Você deve espalhar o óleo com as mãos, com movimentos firmes e conscientes.
Sendo assim, a aplicação pode começar pelos membros e seguir em direção ao tronco, incluindo articulações, pés e mãos, áreas particularmente sensíveis ao ressecamento.

Depois de aplicar, deixe o óleo na pele por 30 a 60 minutos e em seguida, tome um banho morno para remover o excesso.
Essa prática é um gesto diário que transforma o contato com o próprio corpo.

3) Pratimarsha Nasya (oleação nasal)

A terceira forma de usar o óleo de gergelim é pela aplicação nasal, prática conhecida como pratimarsha nasya.

Aqui, você pode começar com uma quantidade mínima. Com o óleo morno, você pode molhar a ponta do dedo mínimo e aplicar suavemente na parte interna de uma narina e, da mesma forma, repete o processo na outra.

Essa é uma aplicação leve, superficial e confortável que lubrifica e protege a mucosa nasal, especialmente em ambientes secos, com ar-condicionado constante ou exposição ao vento.
É uma prática para ser feita diariamente, de forma simples, integrada à rotina matinal.

4) Karna Purana (oleação dos ouvidos)

A quarta forma de usar o óleo de gergelim é pela aplicação nos ouvidos, prática chamada karna purana.
Assim como na oleação das narinas, você molha levemente o dedo mínimo e aplica o óleo na parte externa do canal auditivo, aliás não é necessário introduzir profundamente nem forçar a entrada do óleo.

Depois de aplicar, coloque uma pequena bolinha de algodão na entrada do ouvido, para ajudar a manter a região protegida, evitar exposição excessiva ao vento e impedir que o óleo escorra.
Por certo, essa é uma forma de cuidado direto com uma região extremamente sensível do corpo e frequentemente negligenciada na rotina moderna.

5) Uso na boca (kavala, gandusha e massagem gengival)

A quinta forma de usar o óleo de gergelim é na boca.

Existem duas formas tradicionais descritas nos textos: kavala e gandusha.
No kavala, você coloca uma pequena quantidade de óleo morno na boca (cerca de uma colher de chá) e faz um bochecho suave por alguns minutos.
Enquanto que no gandusha, a boca é preenchida com uma quantidade maior de óleo, mantendo-o imóvel, sem bochechar, sendo uma forma mais intensa e menos comum na rotina diária.

Para quem está começando, há uma alternativa ainda mais simples: molhar o dedo no óleo morno e massagear suavemente a gengiva — parte superior, inferior, por dentro e por fora — durante cerca de um minuto. É um gesto direto, prático e fácil de incorporar à rotina de higiene bucal.

Sendo assim, óleo de gergelim é tradicionalmente valorizado no Ayurveda como um grande aliado da saúde da boca.
A mastigação das próprias sementes de gergelim, inclusive, já era descrita como benéfica para os dentes.

Oleação x Vata dosha

Para entender por que o óleo de gergelim é tão valorizado no Ayurveda, é preciso compreender o papel de vata dosha.

Nos textos clássicos, o vata é descrito a partir de suas qualidades (gunas), sendo considerado seco, leve, frio, áspero, sutil e móvel.
Essas qualidades não são apenas conceitos abstratos. Elas descrevem tendências fisiológicas como ressecamento da pele, instabilidade do sono, mente acelerada, ansiedade, irregularidade digestiva, sensação de esgotamento.

A vida moderna, por si só, intensifica essas características, através do excesso de estímulo, telas, viagens, ansiedade, rotina irregular, pouco descanso, contribuindo para o aumento das qualidades de vata dosha.

É aqui que entra um dos princípios mais fundamentais do Ayurveda que é o Samanya Vishesha Siddhanta, isto é, de forma simples, esse princípio afirma que semelhante aumenta semelhante e oposto reduz e equilibra.

Ou seja, se o vata é seco, leve e frio, aquilo que é untuoso, estável e aquecedor tende a equilibrá-lo.
E o óleo de gergelim é exatamente assim, oferecendo as qualidades opostas às de vata e, pela lógica do Samanya Vishesha, ele naturalmente promove equilíbrio.

E é por isso que o óleo de gergelim é considerado pacificador de vata dosha.

Contraindicações da oleação (Abhyanga)

Embora a prática diária da oleação seja recomendada nos textos clássicos, ela deve ser evitada ou suspensa quando há:
– Agravamento de kapha
– Presença de ama (toxinas metabólicas)
– Indigestão ativa
– Quadros febris
– Logo após terapias de purificação intensas, como panchakarma
– Em certas condições específicas de excesso ou obstrução

É importante lembrar que o Ayurveda não trabalha com “liberado ou proibido” de forma simplista, mas com contexto, avaliação e momento adequado.
Por isso, antes de iniciar qualquer prática regular de oleação — especialmente se você apresenta sintomas digestivos, inflamatórios ou metabólicos — é prudente buscar orientação individualizada.

Se você precisa de uma avaliação personalizada para entender se a oleação é indicada no seu caso, o ideal é procurar um profissional capacitado.
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Perguntar Frequentes

1. Posso usar qualquer óleo de gergelim?

O ideal é utilizar óleo de gergelim puro, prensado a frio e de boa procedência. Não utilize óleos refinados ou misturados, pois eles perdem parte das propriedades.

2. Quem tem pele oleosa pode fazer abhyanga?

De forma geral, sim.
Se houver agravamento de kapha, presença de ama ou sinais de excesso metabólico, pode ser necessário ajustar ou suspender a prática. Nesses casos, a avaliação individual é sempre o caminho mais seguro e adequado.

3. Oleação substitui hidratação comum?

Não exatamente.
A lógica do Ayurveda não é cosmética, mas fisiológica. A oleação atua como prática de equilíbrio sistêmico, não apenas como hidratação superficial.

4. Existe risco em aplicar óleo nos ouvidos ou nariz?

Quando realizado corretamente, o procedimento é seguro.
No entanto, em casos de infecções ativas, feridas abertas ou condições otorrinolaringológicas específicas é preciso avaliação médica prévia.

5. Grávidas podem fazer abhyanga?

Em geral, sim, mas é sempre mais indicado buscar avaliação profissional.

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