Como tratar esclerose múltipla com Ayurveda?

A Esclerose Múltipla é uma doença inflamatória autoimune na qual o sistema imune da pessoa ataca a bainha de mielina, destruindo essa capa e deixando a fibra nervosa exposta.

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Segundo a Federação de Esclerose Múltipla, cerca de 2,8 milhões de pessoas convivem com a Esclerose Múltipla (EM) em todo o mundo,  uma doença neurológica que afeta o sistema nervoso central de forma progressiva, gerando uma série de sintomas, como dormência, tremores, visão embaçada, dificuldade para se locomover, entre outras.

Considerada uma doença autoimune, a Esclerose Múltipla não possui cura, mas pode ser tratada tanto pela medicina moderna quanto pelo Ayurveda. E neste artigo, eu vou te explicar como a EM é vista na perspectiva do Ayurveda e quais são as principais linhas de tratamento de acordo com essa medicina milenar.

O que é Esclerose Múltipla?

A Esclerose Múltipla é uma doença inflamatória autoimune na qual o sistema imune da pessoa ataca a bainha de mielina, uma capa de gordura que protege a fibra nervosa e otimiza a transmissão dos impulsos nervosos, destruindo essa capa e deixando a fibra nervosa exposta.

Com a fibra nervosa exposta, os impulsos elétricos dos neurônios entram como num curto circuito, o que pode gerar problemas de comunicação entre o sistema nervoso central e o restante do corpo.

Ao contrário do que muita gente pensa, a Esclerose Múltipla não afeta apenas pessoas adultas. Segundo estimativas da Federação de Esclerose Múltipla, cerca de 30 mil pessoas com menos de 18 anos possuem a doença e quando o assunto é gênero, cerca de 69% dos pacientes de Esclerose Múltipla são mulheres.

Ainda não existem estudos que indiquem exatamente o porquê de as mulheres serem mais afetadas pela EM, mas o surgimento da doença pode estar relacionado a questões hormonais, genéticas e de estilo de vida.

Mas quando a gente fala em Esclerose Múltipla, não existe só um tipo de doença. Existem basicamente quatro tipos de EM e cada uma delas se apresenta de uma forma.

Tipos de Esclerose Múltipla

Atualmente, são considerados quatro tipos fundamentais de Esclerose Múltipla:

1. Síndrome clínica isolada

A pessoa começa a ter alguns sinais e sintomas, mas ainda não tem um quadro completo de esclerose múltipla. Por essa razão, nem sempre essa condição é considerada EM de fato.

2. Esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR)

A Esclerose Múltipla Remitente-Recorrente (EMRR) é o tipo de EM mais comum e acomete cerca de 85% dos pacientes. Ela é chamada de remitente-recorrente porque sinais e sintomas surgem, estabilizam, e então entram em remissão.

Muitas vezes, a paciente volta ao estado inicial, como se não tivesse Esclerose Múltipla. Mas, quando um novo surto surge, os sinais e sintomas são um pouco mais graves do que os anteriores, e assim a doença vai se agravando com o tempo. Pelo menos esse é o padrão clássico.

3. Esclerose Múltipla Primária Progressiva (EMPP)

Na Esclerose Múltipla Primária Progressiva, o paciente não apresenta surtos, ele desenvolve sintomas e sequelas progressivamente por conta da doença.

4. Esclerose Múltipla Secundária Progressiva

Esse tipo é definido quando o paciente apresenta inicialmente surtos e remissões e, após algum tempo, a doença se torna progressiva e o paciente piora de forma lenta, sem que obrigatoriamente tenha novos surtos.

Então nesses dois tipos de Esclerose Múltipla — Progressiva Primária e Progressiva Secundária — quando a pessoa começa a ter sintomas, não entra mais em remissão. Os sinais e sintomas vão piorando gradativamente.

Esse tipo de Esclerose Múltipla afeta cerca de 12% das pessoas, sendo que os últimos 3% são casos inconclusivos da doença.

Sintomas de Esclerose Múltipla

Os sinais e sintomas da Esclerose Múltipla são muito variados e dependem tanto do paciente específico quanto do tipo e grau de desenvolvimento da doença. Por isso é importante que, ao sentir qualquer sinal da doença, um profissional de saúde seja consultado. Mas, de maneira geral, alguns dos sintomas mais comuns são:

  • Dormência em um ou mais membros, que acontece de um lado do corpo de cada vez;
  • Fraqueza, fadiga e tontura;
  • Sensação de choque elétrico ao mexer o pescoço (que a gente chama tecnicamente de sinal de Lhermitte);
  • Tremores, falta de coordenação e dificuldade para caminhar;
  • Neurite óptica (perda parcial ou total da visão), normalmente acompanhada de dor no movimento ocular;
  • Visão dupla prolongada ou visão embaçada.

Como tratar esclerose múltipla de acordo com o Ayurveda?

Se você consultar os clássicos ayurvédicos, não vai encontrar um capítulo que fale de Esclerose Múltipla, porque esse conceito é da medicina moderna. O que você precisa fazer é analisar os sinais e sintomas que a paciente apresenta e tentar identificar qual ou quais doshas estão agravados.

E no caso de Esclerose Múltipla, nós podemos ter dois casos principais:

  • Vatavyadhi: quando as funções de Vata dosha estão desreguladas;
  • Urustambha: quando a pessoa tem ama (toxinas) e o caminho de Vata dosha é bloqueado.

Vatavyadhi

Quando a esclerose múltipla é consequência unicamente do agravamento de Vata dosha, alguns dos sintomas comuns são rigidez nas articulações, dor, tremores, insônia, inchaço em algumas regiões do corpo, ardência e convulsões.

A pessoa sofre uma crise com um ou vários sintomas e depois remite. Lembra do segundo tipo de esclerose múltipla que eu te falei? Ela é remitente-recorrente.

Nesse caso, o tratamento é focado no controle de Vata dosha, com oleações, atividades físicas que aumentem os tecidos, como a musculatura, e uma dieta equilibrada, além de uma rotina de sono que favoreça o descanso e recuperação do organismo. O panchakarma também pode ser recomendado pelo vaidya, considerando o estado de saúde do paciente.

Urustambha

De acordo com o Charaka Samhita1, um dos livros clássicos do Ayurveda, que foi escrito há mais de três mil anos, urustambha acontece quando o Kapha dosha, associado ao tecido adiposo, acaba bloqueando o caminho natural de Vata e Pitta dosha. Ou seja, você tem os três doshas agravados ao mesmo tempo pela presença de ama no organismo.

Uru significa pernas e stambha significa rígido, então essa doença tem um quadro de disfunção motora nas pernas muito claro.

Os sintomas primários de urustambha são olhos fixos, excesso de sono, febre, anorexia, arrepios, vômitos e redução da força na região das pernas e panturrilhas.

Quando a doença já está instalada, a pessoa pode sentir cansaço excessivo, fraqueza muscular, dor constante e sensação de queimação. Também pode ter dificuldades de locomoção, entre outros sintomas.

Nesse caso, o vaidya vai priorizar um tratamento que elimine o ama do organismo e pacifique Kapha dosha em primeiro lugar, para que Vata e Pitta voltem ao seu caminho natural.

Como você pode ver, tratar esclerose múltipla com Ayurveda não é algo tão simples. Primeiro, você precisa entender quais são os doshas envolvidos, como os sintomas se manifestam e a partir daí criar um plano de tratamento de acordo com cada paciente. E isso significa ter um conhecimento profundo do Ayurveda, além de experiência clínica, é claro. 

Aqui, o grande desafio que o médico ayurvédico precisa enfrentar é conseguir distinguir se o paciente está com vatavyadhi ou com urustambha, porque o tratamento dessas duas doenças é completamente diferente e o próprio Charaka Samhita diz que muitos médicos erram esse diagnóstico diferencial.

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No Fundamentos, eu te explico o que são os doshas, como eles afetam o organismo, qual a importância da digestão para a saúde humana, quais são os principais tipos de tratamento no Ayurveda e como você pode aplicar os conceitos desse sistema de medicina no seu dia a dia.

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Abraços e lembre-se sempre: SAÚDE É LIBERDADE!

Matheus

1. Ca. Ci. 27/14

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