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Saúde hormonal feminina

A saúde hormonal desempenha um papel fundamental no bem-estar das mulheres, afetando não apenas sua saúde reprodutiva, mas sua saúde de um modo geral. Este artigo abordará aspectos essenciais da saúde hormonal feminina, desde as fases da vida até práticas de saúde integrativa para promover o equilíbrio hormonal da mulher.

Escrito por Vd. Matheus Macêdo e Rodrigo Raposo, com revisão de Thai Moregola.

Fases da vida e hormônios

A saúde hormonal feminina é um intricado mosaico de experiências que evoluem ao longo das diferentes fases da vida, sendo moldada por uma complexa interação de fatores hormonais.

Desde a adolescência até a menopausa, as mulheres atravessam um notável ciclo de transformações físicas e emocionais, impulsionadas por variações hormonais que afetam suas vidas, de uma forma ou de outra. 

É muito desafiador para as mulheres enfrentarem as complexidades da vida em um mundo cuja cultura vigente é majoritariamente  patriarcal e machista. Quando combinado com as flutuações hormonais ao longo das diferentes fases da vida, surge uma jornada ainda mais pesarosa, onde a resistência se torna um ato diário de equilíbrio entre força interior e uma sociedade que muitas vezes subestima o poder e a resiliência feminina.

Vamos ver adiante as distintas fases da vida feminina, destacando as nuances hormonais que desempenham papéis vitais em áreas como o desenvolvimento, a fertilidade, o ciclo menstrual e a transição para a menopausa.

1 I Puberdade

A puberdade feminina marca uma fase vital no desenvolvimento, caracterizada por transformações hormonais significativas que moldam a transição da infância para a maturidade. Durante esse período, as glândulas endócrinas do aparelho reprodutor –  os ovários, começam a liberar hormônios sexuais, como estrogênio e progesterona, desencadeando mudanças notáveis no desenvolvimento do corpo.

Essas flutuações hormonais impactam diretamente os ciclos menstruais, sinalizando o início da fertilidade e influenciando o desenvolvimento físico, como o crescimento dos seios e a maturação dos órgãos reprodutivos.

A educação sobre saúde menstrual é de suma importância nessa fase, pois ajuda as recém-adolescentes a compreenderem e gerenciarem suas funções corporais, promovendo a autoestima, o respeito pelo próprio corpo e contribuindo para a construção de uma sociedade mais consciente e inclusiva.

2 I Ciclo menstrual

O ciclo menstrual, um processo complexo que ocorre no corpo feminino, é dividido em diferentes fases, com cada uma delas desempenhando um papel específico.

2.1 – Fase Menstrual

A fase menstrual, que marca o início do ciclo, é caracterizada pela descamação do revestimento uterino e tem duração variável.

2.2 – Fase Folicular

Em seguida, a fase folicular é impulsionada pelo hormônio folículo-estimulante (FSH), que atua no desenvolvimento dos folículos ovarianos e na produção de estrógeno.

Quando o folículo dominante libera um óvulo, inicia-se a ovulação, geralmente na metade do ciclo, influenciada pelo pico de hormônio luteinizante (LH).

2.3 РFase L̼tea

A fase lútea segue a ovulação, com o corpo produzindo progesterona para preparar o útero para uma possível gravidez. Em casos de não fertilização, os níveis hormonais diminuem drasticamente, levando ao início de um novo ciclo.

Hormônios no ciclo menstrual

Os hormônios estrógeno e progesterona ocupam lugares importantes para o ciclo menstrual. O estrógeno é responsável pelo crescimento do revestimento uterino e estimula a ovulação, enquanto a progesterona mantém a preparação do útero para uma possível implantação do óvulo fertilizado.

Desequilíbrio hormonal feminino: como identificar

Desarmonias no equilíbrio hormonal durante o ciclo menstrual podem manifestar-se por meio de diversos sintomas. Desde alterações de humor e dores intensificadas até irregularidades no ciclo, esses desequilíbrios podem impactar negativa e significativamente a qualidade de vida das mulheres.

A compreensão dessas variações hormonais é essencial para uma abordagem mais compassiva e eficaz da saúde feminina, permitindo uma gestão mais consciente e personalizada desses ciclos complexos.

3 I Gravidez e lactação

As alterações hormonais durante a gravidez são importantes no desenvolvimento fetal e na preparação do corpo para a maternidade. Hormônios como o hCG (gonadotrofina coriônica humana), progesterona e estrogênio desencadeiam mudanças fisiológicas significativas, como o fortalecimento do revestimento uterino, o suporte ao desenvolvimento do feto e a preparação das glândulas mamárias para a lactação.

Durante a lactação, hormônios como a prolactina estimulam a produção de leite, enquanto a ocitocina promove a liberação e o fluxo adequado do leite materno.

“A produção de leite é estimulada pela sucção do bebê, porém essa atividade demanda muita energia da mãe. Por isso, a alimentação da mãe lactante precisa ser bem nutrida”, diz Ana Paula Sanches, nutricionista materno-infantil.

ASSISTA gratuitamente a palestra da Dra. Ana Paula Sanches no ConVIDA 2023.

Garantir uma saúde física e mental antes, durante e após a gestação é crucial para o bem-estar da mãe e do bebê. Isso envolve uma nutrição equilibrada, acompanhada de uma profissional da área de nutrição, exercícios físicos moderados e adequados e cuidados pré-natais consistentes para monitorar e gerenciar eventuais desequilíbrios hormonais, bem como uma boa qualidade de sono.

A compreensão profunda desses processos hormonais não apenas contribui para uma gestação saudável, mas também estabelece uma base sólida para a experiência de lactação, promovendo o desenvolvimento e a nutrição ideais do recém-nascido.

4 I Perimenopausa e Menopausa

A perimenopausa e menopausa representam estágios marcantes na vida da mulher, caracterizados por alterações hormonais que desencadeiam uma série de transformações físicas e emocionais. 

A perimenopausa é o primeiro estágio do climatério e começa normalmente entre 40 e 45 anos. Porém, é possível que algumas mulheres comecem a sentir os seus sintomas por volta dos 35 anos. Novamente, não há um período determinado para todas as mulheres, mas em média a duração da perimenopausa é de até 5 anos.

Durante a perimenopausa, os níveis de estrogênio começam a declinar gradualmente, resultando em flutuações hormonais e sintomas como: irregularidades menstruais, ondas de calor, alterações de humor e distúrbios do sono.

A menopausa, por sua vez, marca o fim definitivo do ciclo menstrual, acompanhado por uma diminuição significativa na produção hormonal. Os sintomas associados a essa transição podem variar amplamente, incluindo secura vaginal, diminuição da densidade óssea e possíveis riscos cardiovasculares.

Desequilíbrios hormonais femininos

Os desequilíbrios hormonais femininos podem afetar diversas funções fisiológicas e contribuem para uma variedade de condições médicas.

Os hormônios, mensageiros químicos do corpo, são fundamentais para o equilíbrio e a regulação de processos vitais, como o metabolismo, o crescimento, a reprodução e o humor. Quando ocorrem desvios nos níveis hormonais, seja devido a fatores genéticos, ambientais ou relacionados ao estilo de vida, surgem implicações significativas para a saúde.

Desde manifestações visíveis, como mudanças na pele e no peso, até efeitos mais sutis, como alterações de humor e energia. Os desequilíbrios hormonais podem impactar profundamente o bem-estar físico e emocional da mulher, como já foi dito anteriormente. 

Neste contexto, compreender a complexidade dos sistemas hormonais e suas interações é essencial para promover uma abordagem holística à saúde, possibilitando diagnósticos precisos e estratégias de tratamentos eficazes para melhorar a qualidade de vida. 

Veremos a seguir alguns exemplos de desequilíbrios hormonais muito comuns na prática clínica:

1 I Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)

A Síndrome do Ovário Policístico (SOP) é uma condição hormonal comum que afeta as mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por desequilíbrios hormonais que resultam na formação de cistos nos ovários.

Este distúrbio hormonal pode levar a uma variedade de sintomas, incluindo irregularidades menstruais, acne, aumento de pelos faciais, e, em alguns casos, dificuldades na ovulação e fertilidade.

Além dos sintomas físicos, a SOP também está associada a complicações de saúde, como resistência à insulina e, por conta disso, um possível aumento do risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

A gestão da SOP muitas vezes envolve abordagens multifacetadas, incluindo mudanças na dieta, exercícios físicos, controle do peso e, em alguns casos, intervenções médicas para regularizar os ciclos menstruais e melhorar a fertilidade.

Compreender os desafios enfrentados por mulheres com SOP é fundamental para uma abordagem integrada na busca de soluções para melhorar a qualidade de vida e a saúde reprodutiva.

2 I Endometriose

A endometriose afeta cerca de 176 milhões de mulheres no mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Ela é uma condição crônica complexa em que o tecido semelhante ao endométrio, que normalmente reveste o útero, cresce fora dele.

O desenvolvimento e progressão da endometriose são influenciados por fatores hormonais, particularmente os níveis de estrogênio. Durante o ciclo menstrual, o tecido endometrial implantado fora do útero também responde às flutuações hormonais, espessando e, eventualmente, descamando, levando a inflamação, dor e formação de aderências.

O manejo da endometriose visa aliviar os sintomas e reduzir a progressão da doença. Estratégias de gestão incluem medicamentos para suprimir a produção de estrogênio, como contraceptivos hormonais, agonistas de GnRH e moduladores seletivos de receptores de progesterona.

Outras opções incluem cirurgia para remover tecido endometrial excessivo e terapias complementares, como fisioterapia e acupuntura, para ajudar a controlar a dor e melhorar a qualidade de vida das pacientes com endometriose.

3 I Hipotireoidismo

O hipotireoidismo é uma condição em que a glândula tireoide não produz hormônios tireoidianos em quantidade suficiente para atender às necessidades do corpo. Esta disfunção hormonal afeta diretamente o equilíbrio do sistema endócrino, uma vez que os hormônios tireoidianos desempenham um papel fundamental na regulação do metabolismo, crescimento e desenvolvimento.

Além disso, eles influenciam indiretamente outros sistemas hormonais, afetando a produção de hormônios sexuais e neurotransmissores. O diagnóstico precoce do hipotireoidismo é essencial, pois essa condição pode gerar diversos sintomas, como fadiga, ganho de peso, pele seca, constipação e alterações de humor.

O tratamento geralmente envolve a reposição hormonal com hormônio tireoidiano sintético, ajudando a restaurar os níveis hormonais adequados e aliviar os sintomas. A identificação precoce e o manejo adequado do hipotireoidismo são essenciais para prevenir complicações graves e garantir uma qualidade de vida melhor para as pacientes.

4 I Hipertireoidismo

O hipertireoidismo é uma condição em que a glândula tireoide produz excesso de hormônios tireoidianos, afetando o equilíbrio do sistema endócrino. Esses hormônios desempenham um papel vital na regulação do metabolismo, energia e temperatura corporal, bem como na função de outros sistemas hormonais.

Quando em excesso, eles aceleram o metabolismo, levando a sintomas como perda de peso, nervosismo, irritabilidade, tremores e palpitações cardíacas. O diagnóstico precoce do hipertireoidismo é crucial para evitar complicações graves, como problemas cardíacos e osteoporose.

O tratamento visa normalizar os níveis hormonais tireoidianos, podendo incluir medicamentos para suprimir a produção hormonal, terapia com iodo radioativo ou, em casos mais graves, cirurgia para remover parte ou toda a glândula tireoide.

A identificação precoce e o manejo adequado do hipertireoidismo são essenciais para garantir a qualidade de vida e prevenir complicações a longo prazo.

A cultura machista pode também influenciar no desequilíbrio?

Segundo um artigo do O Globo, diversos psicólogos ouvidos sugerem que a opressão de gênero pode gerar problemas emocionais, cognitivos e comportamentais, como baixa autoestima, insegurança, estresse pós-traumático, depressão, ansiedade, crise de pânico e outros transtornos psicológicos. 

“No caso das mulheres, ser vista como uma pessoa inferior causa problemas de desamparo aprendido, sensação de incompetência, falta de confiança e perda de referência em si mesma, o que te leva a aceitar o que o outro impõe a você — diz Elizabeth Barham, professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)” destaca o trecho do artigo.

Além disso, a objetificação e a sexualização constantes do corpo feminino contribuem para uma cultura de insatisfação corporal, promovendo práticas extremas de dieta e exercício que podem impactar negativamente o equilíbrio hormonal das mulheres.

Portanto, acreditamos que já passou da hora de desafiarmos ativamente essas normas e promover uma cultura que valorize o bem-estar físico e mental das mulheres, reconhecendo e respeitando sua fisiologia única e suas necessidades hormonais.

Promovendo o Equilíbrio Hormonal Feminino com os 4 Pilares da Saúde

Promover o equilíbrio hormonal feminino é essencial para a saúde integral da mulher em todas as fases da vida. Desequilíbrios hormonais podem impactar diversos aspectos, desde o ciclo menstrual até o bem-estar emocional e a saúde reprodutiva.

No entanto, existem 4 pilares da saúde que podem ajudar a otimizar o funcionamento do sistema endócrino e promover o equilíbrio hormonal. Desde a adoção de uma alimentação adequada e rica em nutrientes específicos até a prática regular de exercícios físicos e a gestão eficaz do estresse, essas estratégias atuam na regulação dos hormônios e na promoção da saúde feminina como um todo. Vejamos algumas:

1 I Alimentação adequada a cada caso

Uma alimentação adequada é a base da boa saúde hormonal feminina. Alguns nutrientes são fundamentais, pois incluem vitaminas do complexo B, como B6 e B12, que são necessárias para a produção de neurotransmissores e hormônios sexuais.

O ômega-3, encontrado em peixes gordurosos, sementes de linhaça e nozes, é conhecido por reduzir a inflamação e apoiar a produção hormonal adequada. O zinco é outro nutriente fundamental, essencial para a saúde da tireoide e a produção de hormônios sexuais.

Além disso, alimentos ricos em fibras, como frutas, vegetais e grãos integrais, podem ajudar a regular os níveis de açúcar no sangue e reduzir o estresse oxidativo. Incorporar uma variedade de alimentos frescos e nutritivos em uma dieta balanceada é fundamental para promover uma saúde hormonal equilibrada e sustentável.

“Precisamos repensar nossos hábitos alimentares e cuidar melhor da nossa saúde.”, diz Denise Carreiro, nutricionista e autora do livro Síndrome Fúngica – Uma Epidemia Oculta e diversos outros.

ASSISTA gratuitamente a palestra da Dra. Denise Carreiro no ConVIDA 2023.

2 I Atividade física divertida e que faz suar

Os exercícios físicos desempenham um papel crucial na regulação hormonal, promovendo uma série de benefícios para o corpo e a mente. A prática regular de atividades físicas ajuda a reduzir os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, e aumentar a produção de endorfinas, neurotransmissores que promovem sensações de bem-estar.

Além disso, o exercício pode melhorar a sensibilidade à insulina, auxiliando na regulação dos níveis de glicose no sangue e na prevenção da resistência à insulina. Recomenda-se uma combinação de exercícios aeróbicos, como corrida ou natação, e exercícios de resistência, como musculação, para obter os máximos benefícios hormonais e físicos.

É importante respeitar os limites individuais, começando com atividades de intensidade moderada e aumentando gradualmente a intensidade e a duração do exercício conforme a condição física se desenvolve. É importante ressaltar que a prática de atividade física costuma trazer mais efeitos positivos quando são encaradas como divertidas e quando produzem suor. 

3 I Silêncio e yoga

Gerenciar eficazmente o estresse é essencial para promover um equilíbrio hormonal saudável, pois o estresse exerce um impacto significativo nos hormônios do corpo, desencadeando a liberação de cortisol, conhecido como “o hormônio do estresse”.

Níveis cronicamente elevados de cortisol podem interferir na regulação de outros hormônios, como os relacionados ao metabolismo, sono e sistema imunológico, contribuindo para uma variedade de problemas de saúde, incluindo obesidade, diabetes e doenças cardíacas.

Técnicas como meditação, yoga e respiração profunda podem ajudar a reduzir os níveis de cortisol e promover a resposta de relaxamento do corpo, mesmo que praticadas apenas por alguns minutos no dia.

A prática regular dessas técnicas pode melhorar a resiliência ao estresse, promover a clareza mental e contribuir para uma sensação geral de bem-estar físico e emocional. Incorporar essas práticas na rotina diária pode ser uma ferramenta poderosa para manter o equilíbrio hormonal e promover a saúde integral a longo prazo.

4 I Sono de qualidade

O sono adequado atua na regulação dos hormônios e na manutenção de um equilíbrio hormonal saudável. Durante o sono, o corpo regula a produção de hormônios importantes, como o cortisol, o hormônio do crescimento e os hormônios relacionados ao apetite, como a leptina e a grelina.

Uma boa qualidade de sono é essencial para garantir a produção adequada desses hormônios, o que, por sua vez, promove um metabolismo saudável, regula o apetite e fortalece o sistema imunológico.

Estratégias para melhorar a qualidade do sono incluem manter um horário regular de sono, criar um ambiente propício para dormir, como manter o quarto escuro e silencioso, limitar a exposição a telas antes de dormir, praticar relaxamento e meditação, e evitar o consumo de cafeína e álcool antes de dormir.

Incorporar essas estratégias na rotina diária pode ajudar a promover um sono reparador e contribuir para um equilíbrio hormonal saudável ao longo do tempo.

E o Ayurveda, onde entra nisso?

O Ayurveda é o sistema de medicina mais antigo da humanidade, datado de 5 mil anos, cuja atuação vem  crescendo exponencialmente no ocidente nas últimas décadas. 

Existe uma área no Ayurveda chamada de Yoni Vyapad, um termo em sânscrito que significa “doenças do sistema reprodutor feminino”. O termo “yoni”, que significa útero, é utilizado para se referir ao sistema reprodutor feminino em um sentido mais abrangente.

Causas dos distúrbios ginecológicos, de acordo com o Ayurveda

Charaka Samhita, um texto clássico do Ayurveda, escrito entre 3 e 4 mil anos atrás, diz o seguinte:

इति शिष्येण पृष्टस्तु प्रोवाचर्षिवरोऽत्रिजः ।

विंशतिर्व्यापदो योनेर्निर्दिष्टा रोगसंग्रहे ।। ७ ।।

मिथ्याचारेण ताः स्त्रीणां प्रदुष्टेनार्तवेन च।

जायन्ते बीजदोषाच्च दैवाच्च शृणु ताः पृथक् ।। ८ ।।

Ca.Ci. 30:7-8

Neste verso, o Charaka Samhita menciona 4 principais fatores responsáveis por 20 distúrbios ginecológicos: alimentação e estilo de vida inadequados (mithyācāra), patologia menstrual (praduṣṭa artava), óvulos com desequilíbrios (bīja doṣa) e, por fim, karma ruim gerados por ações de vidas passadas (daiva).

1 I Alimentação e estilo de vida inadequados (mithyācāra)

Aqui o Charaka Samhita parece incluir a ingestão excessiva de alimentos (comer mais do que o necessário, comer sem fome), a ingestão inadequada de alimentos (comer sem dar a atenção devida à sua digestão), ingestão de alimentos prejudiciais à saúde da pessoa em questão e às pessoas no geral, ingestão de alimentos não higienizados e ingestão de alimentos que possuem misturas incompatíveis. 

Já o estilo de vida inadequado, este trecho refere-se ao ato sexual especificamente. Certas posturas ou condutas durante o coito podem causar diversos distúrbios ginecológicos.

2 I  Patologia menstrual (praduṣṭa arthava)

O Charaka também sugere que óvulos contaminados, bem como o sangue menstrual também podem ser responsáveis por patologias ginecológicas.

O sangue menstrual é o resultado de alterações no endométrio, provocada pela ação dos hormônios, como vimos anteriormente, sendo portanto o reflexo das condições dos órgãos e hormônios femininos. 

Uma vez contaminado por doshas em desequilíbrio, o sangue menstrual pode causar diversas doenças ginecológicas (arthava  duṣṭi).

3 I óvulos com desequilíbrios (bīja doṣa)

Desequilíbrio nos óvulos ou nos espermatozoides dos pais estão sujeitos a causar distúrbios ginecológicos nas filhas. Interessante observar que mesmo muito antes do conceito de genética ser elaborado na medicina moderna, os textos clássicos do Ayurveda já sugeriam a possibilidade de transmissão de características patológicas dos pais para os filhos.  

4 I karma gerado por ações de vidas passadas (daiva)

Entrando numa área potencialmente mais espiritual, o Charaka sugere que atos inadequados realizados em vidas passadas podem exercer influência na saúde ginecológica da mulher nesta vida atual.

Esse fator também pode ser compreendido como a experiência por uma pessoa de consequências de atos realizados mesmo antes do seu nascimento.

Geralmente, esse diagnóstico é sugerido quando os demais fatores causadores de doenças não são detectados.

LEIA Yonivyāpat – Doenças Ginecológicas De Acordo Com O Āyurveda, para se aprofundar mais em doenças ginecológicas de acordo com os clássico Samhitas.

Prevenir é sempre melhor do que remediar

Manter a saúde hormonal equilibrada é essencial para o bem-estar das mulheres e das pessoas ao seu redor (filhos, familiares, colegas de trabalho etc).

Ao entender as fases da vida, os desequilíbrios comuns e a implementação de práticas saudáveis, as mulheres podem promover uma vida equilibrada e prevenir problemas relacionados aos hormônios.

A busca por um estilo de vida saudável, aliadas ao acompanhamento médico adequado, contribui para uma jornada de saúde hormonal sustentável.

Quando nos referimos a um estilo de vida saudável, estamos focando nos 4 pilares da saúde, principalmente na alimentação adequada a cada pessoa.

Mesmo que a pessoa não tenha condições de ter acesso a um sistema de saúde de primeira linha, ao focar em boas práticas relativas aos 4 pilares da saúde, a mulher já garante uma perspectiva de saúde melhor para si e para sua família.

Curso Equilíbrio Hormonal Feminino 

E para você que tem interesse em entender melhor sobre saúde hormonal feminina, fico feliz em anunciar que dia 11 de abril de 2024 vamos começar um novo curso no Nilaya – A Comunidade de Estudos Continuados em Ayurveda do Vida Veda, chamado Equilíbrio Hormonal Feminino.

Serão seis aulas, cada uma delas focada em um tema fundamental para você ter uma visão ampla e integrada sobre saúde hormonal feminina: Ayurveda, Ginecologia Moderna, Tantra Yoga, Endocrinologia, Ginecologia Emocional e Nutrição. Tudo que você precisa para se aprofundar em saúde feminina integrativa.

Um forte abraço e lembre-se sempre: SAÚDE É LIBERDADE!

2 comentários em “Saúde hormonal feminina”

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