Por que é tão difícil mudar hábitos? - VIDAVEDA

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30/06/2020
Por que é tão difícil mudar hábitos?

Entender os mecanismos mentais da formação de hábitos pode nos ajudar a mudá-los

Por Alice Azara, estagiária de Escrita, com a colaboração de Anelize Moreira, gerente de Escrita do Vida Veda

Todos nós já tentamos mudar um ou outro hábito durante a vida e percebemos o quanto não é um processo fácil. Mesmo que consigamos permanecer com hábitos saudáveis, cair no mesmo ciclo de escolhas ruins, às vezes, pode parecer um destino sem escapatória… Depois de tanto tentar diminuir o consumo de açúcar, parar o cigarro ou evitar passar tantas horas nas redes sociais, por algum motivo que não conseguimos decifrar, caímos novamente no mesmo ciclo do hábito sem nem perceber.

Após passarmos por isso de novo e de novo, é comum restar uma sensação: fracasso. A ideia de que não somos fortes e capazes o bastante para mudar, de que esse não deve ser o momento certo para começarmos uma nova rotina mais saudável ou de que nunca conseguiremos estar felizes com nossas escolhas pode ser bastante recorrente quando tentamos mudar hábitos, mas não conseguimos. 

“A mudança de hábitos é uma das coisas mais difíceis de se fazer. É gradual e nenhuma transformação significativa acontece em menos de um ano”, diz o Vd. Matheus Macêdo sobre a experiência com pacientes e alunos.

Mas não conseguir mudar seus hábitos não significa não ser forte, capaz ou focado. É necessário entender como nosso cérebro funciona e como a capacidade de criar hábitos (e mantê-los a todo custo) é essencial para que nós, humanos, tenhamos conseguido evoluir até os dias de hoje, assim como continuarmos vivos e com nossa mente funcionando todos os dias.

Créditos: Pau Casals / Unsplash

Você pode nem perceber, mas nossa vida é plena de hábitos: amarrar os cadarços, escovar os dentes, trancar a porta ao sair de casa, dirigir um carro, ser capaz de comer ao mesmo tempo em que presta atenção na conversa dos amigos… Imagine como seria sua rotina se, a cada momento do seu dia, tivesse que parar, refletir sobre as ações mais cotidianas e planejar formas de executá-las. Seu cérebro precisa criar hábitos para que você sobreviva e tenha energia e foco para as ações que realmente são importantes.

Mas, então, como hábitos se formam? De acordo com James Clear, escritor do livro Hábitos Atômicos, “O processo de formação de hábitos começa com tentativa e erro.” Quando se depara com uma situação nova, seu cérebro não sabe lidar com ela e precisa desenvolver uma estratégia. Para isso, ele vai precisar da energia e foco de que falamos anteriormente, até que encontre uma solução que traga uma boa recompensa. 

“Esse é o ciclo de feedback por trás de todo comportamento humano: tente, falhe, aprenda, tente de maneira diferente.”, diz James Clear. De repente, todo esse processo de encontrar uma situação e uma solução se torna tão automático que nem notamos, e é por isso que atacamos um pote de sorvete sem nem perceber que isso se deu pelo fato de estarmos estressados.

Crédito: Freepik

De acordo com o escritor, existe um ciclo do hábito que se repete continuamente e conta com as seguintes fases: estímulo (ou gatilho), desejo, resposta e recompensa.

O estímulo é o que aciona o hábito no seu cérebro e vai causar o desejo de alguma coisa. É nesse estágio que seu cérebro irá vasculhar pelas ações que, durante a sua vida, conseguiram suprir esse desejo de mudar o estado em que você se encontra. A partir disso, nosso corpo executa a resposta ao desejo, que nada mais é do que o hábito. “O que você almeja não é o hábito em si, mas a mudança de estado que ele proporciona.”, defende o autor. É por isso que quando estamos estressados é mais comum escolhermos chocolate ao invés de brócolis: momentos felizes e de comemoração sempre são repletos de guloseimas, e seu cérebro só está em busca dessa sensação de alegria.

Chegamos então ao último estágio do ciclo, aquele responsável por mantermos nossos hábitos: a recompensa. Receber uma recompensa é o objetivo de todo hábito e seu cérebro segue o mecanismo de sempre buscar a recompensa mais prazerosa e útil. Por isso é muito mais fácil criar o hábito de ficar deitado maratonando filmes do que sair para correr num dia frio e chuvoso.

A chave mais importante disso tudo, de acordo com Hábitos Atômicos, é que se você não conseguir cumprir algum dos estágios do ciclo, o hábito não se estabelecerá: “Sem os três primeiros estágios, um comportamento não ocorre. Sem os quatro, ele não é repetido”, defende James Clear.

Entender os mecanismos mentais da formação de hábitos pode nos ajudar a compreender os alicerces dos problemas que enfrentamos, mas não é o bastante para rompermos o ciclo. Para isso, agir é fundamental. Pode ser um caminho difícil, porém não se esqueça de que é melhor tentar e falhar do que nunca se dar uma chance de mudar.

Você está diante de uma boa oportunidade agora. Estamos na Semana dos 3 Passos para a Transformação e com nosso apoio poderá aprender a usar ferramentas que ajudem no processo de mudança. 

“Algumas pessoas acreditam que o melhor caminho é não fazer nada, porque assim evitam a frustração. Ou seja, nem começam algo que querem muito, pois acham que vão fracassar. Só que não fazer nada significa não estar realizado. Tentar e falhar é melhor que nem tentar.”, diz Vd. Matheus Macêdo.

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