Como nutrir uma infância saudável? - VIDAVEDA

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13/10/2020
Como nutrir uma infância saudável?

O Guia Alimentar pode ser um importante aliado para melhorar a alimentação infantil

Por Alice Azara, da equipe de Escrita do Vida Veda

O Guia Alimentar para a População Brasileira tem povoado os noticiários nos últimos tempos. Em meio às polêmicas acerca da revisão do conteúdo do guia, opiniões diferentes surgiram e, com elas, também diversas dúvidas. Muitas pessoas nunca haviam ouvido falar do Guia Alimentar até então e continuam sem saber para que ele serve, como pode ser usado e para quem está disponível.

Nesta semana do Dia das Crianças, escolhemos comemorar a data falando sobre um assunto de suma importância para a saúde dos pequenos: a alimentação. Mas antes de falarmos sobre isso, precisamos entender alguns conceitos. Afinal, o que é um guia alimentar?

De acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) existem, atualmente, 92 países ao redor do mundo que apresentam guias alimentares, totalizando mais de 100 guias. Eles propõem diretrizes alimentares adaptadas e desenvolvidas a partir da situação nutricional, cultural, socioeconômica, hábitos alimentares e disponibilidade de alimentos de cada país. 

No caso do Brasil, contamos com dois guias atualmente: o Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado em 2014, e o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, lançado em 2019, referências para outros países que estão desenvolvendo e atualizando seus próprios guias alimentares.

Para a Dra. Adriane Cruz, médica pediatra e infectologista, os guias são essenciais tanto no desenvolvimento alimentar infantil quanto na promoção da saúde na fase adulta. 

“A qualidade das informações fornecidas neste material é excelente. Desenvolvido por equipe técnica para divulgação gratuita na internet pelo Ministério da Saúde, o guia fornece informações confiáveis e propicia a autonomia de cada família ao escolher seus alimentos de forma crítica desde a introdução alimentar e no seguimento. De forma clara e ricamente ilustrado, deveria ser de leitura obrigatória. Infelizmente ainda é muito pouco conhecido. Eu o indico e divulgo desde o seu lançamento!”, explica Adriane.

(Crédito: Ministério da Saúde)

Agora que você já entendeu o que são os guias alimentares, pode estar se perguntando o que tudo isso tem a ver com o Ayurveda… E tem tudo a ver! De acordo com Adriane, seguir as indicações apresentadas no guia é uma excelente forma de colocar em prática os ensinamentos ayurvédicos. 

“É tudo o que eu acredito que vai fazer a diferença no futuro dessa criança e dessa família. Esse é o legado, o Ayurveda em que eu acredito e quero apresentar de forma simples, inserida nas rotinas do dia a dia! Mais feira, menos supermercado!”, afirma.

E isso fica ainda mais claro quando observamos os 5 princípios que pautaram a produção do documento no Brasil:

1. Alimentação é mais que ingestão de nutrientes

“Isso o Ayurveda tem de muito interessante: tudo é alimento. A gente pensa em alimento e pensa em comida, e na verdade tudo nos alimenta. Então se eu estou almoçando, pode ser o prato mais maravilhoso do mundo, a comida mais bacana, mais bem feita, super saborosa… Mas a televisão está ligada com as coisas mais tenebrosas possíveis. Isso tudo está me alimentando também.”, explica a pediatra.

2. Alimentação adequada e saudável deriva de sistema alimentar social e ambientalmente sustentável. 

A saúde do indivíduo se constrói a partir do contexto em que vive e da saúde de seus pares! A saúde plena só é construída coletivamente.

3. Recomendações sobre alimentação devem estar em sintonia com seu tempo

Da mesma forma, os ensinamentos ayurvédicos pontuam a importância de nos atentarmos aos alimentos sazonais e até mesmo à mudança nos cuidados com o corpo ao longo do ano.

4. Diferentes saberes geram o conhecimento para a formulação de guias alimentares

Esta é uma prática que levamos a sério aqui no Vida Veda! O diálogo com a medicina e nutrição modernas e as diversas práticas da medicina integrativa somam ao conhecimento sobre a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida dos seres vivos.

5. Guias alimentares ampliam a autonomia nas escolhas alimentares

Como sempre dizemos: Saúde é LIBERDADE!

Palestra “Pediatria e Ayurveda” com Dra. Adriane Cruz (parte 2/6)

Ok, mas como isso tudo pode ajudar a nutrir uma infância saudável? Como melhorar, a partir de hoje, a saúde das crianças ao seu redor? A resposta é: comece melhorando a sua alimentação! 

“As pessoas têm uma sensação de que a pediatria é diferente da saúde adulta, temos uma habilidade insana de compartimentalizar a saúde humana. Uma criança doente é um adulto doente, porque toda criança doente tem um adulto doente por trás. Não tem saúde sem exemplo, não tem educação sem exemplo, comenta o Vd. Matheus Macêdo.”

Dessa forma, antes de falar “Não tem jeito! Meu filho não gosta de comer nada saudável!” pergunte-se: como estão os seus hábitos alimentares? De onde vem o pacote de biscoito recheado que seu filho adora comer? Se você tivesse um armário cheio de guloseimas disponíveis, iria mesmo preferir comer um prato de brócolis?

“Se é uma comida monótona que a mãe também come, qual a possibilidade de essa criança pedir ‘Mãe, compra brócolis’? Isso não vai acontecer! É oferecer e oferecer e oferecer e uma hora vai rolar, algumas coisas a criança não vai gostar e está tudo bem! Sempre tem alguma coisa de que a gente não gosta, mas não é possível que ela não goste de nada.”, pontua Adriane.

(Crédito: Julian Scagliola, Unsplash)

E para começar a ser a pessoa que você gostaria que a criança com quem convive se espelhe para se tornar um ser humano saudável, separamos as recomendações gerais do Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 anos para você começar a melhorar a alimentação da sua família hoje!

  1. Amamentar até 2 anos ou mais, oferecendo somente o leite materno até 6 meses.
  2. Oferecer alimentos in natura ou minimamente processados, além do leite materno, a partir dos 6 meses.
  3. Oferecer água própria para o consumo à criança em vez de sucos, refrigerantes e outras bebidas açucaradas.
  4. Oferecer a comida amassada quando a criança começar a comer outros alimentos além do leite materno.
  5. Não oferecer açúcar nem preparações ou produtos que contenham açúcar à criança até 2 anos de idade.
  6. Não oferecer alimentos ultraprocessados para a criança.
  7. Cozinhar a mesma comida para a criança e para a família.
  8. Zelar para que a hora da alimentação da criança seja um momento de experiências positivas, aprendizado e afeto junto da família.
  9. Prestar atenção aos sinais de fome e saciedade da criança e conversar com ela durante a refeição.
  10. Cuidar da higiene em todas as etapas da alimentação da criança e da família.
  11. Oferecer à criança alimentação adequada e saudável também fora de casa.
  12. Proteger a criança da publicidade de alimentos.

Além disso, não deixe de consultar os guias completos para aprender mais sobre os grupos alimentares, dicas de cozimento e higienização, como fazer as melhores escolhas alimentares e muito mais!

Para baixar o Guia Alimentar para a População Brasileira, CLIQUE AQUI

Para baixar o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, CLIQUE AQUI

Para acessar todos os guias alimentares disponibilizados pela FAO, CLIQUE AQUI



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